A Munganga Promoção Cultural

A MUNGANGA PROMOÇÃO CULTURAL: O Brejo é Isso!

sábado, 12 de setembro de 2020

CORONEL DOMINGOS LEITE FURTADO


Cel. Domingos Leite Furtado
Coronel Domingos Leite Furtado.
    
      Segundo informações de Francisco Augusto de Araújo Lima em seu livro - Famílias Cearenses Um - Domingos Leite Furtado é filho de João Furtado Leite (Janjote) e Francisca das Chagas do Nascimento. Sucedeu a seu pai, como patriarca da família que lhe rendia cega obediência. Nasceu no ano de 1842, no Sítio Coité, atualmente distrito de Mauriti, residindo posteriormente em Taboca, próximo de Milagres, no sítio Olho D’água e por fim, em Nazaré, ao qual seu corpo está sepultado junto à sua esposa na capelinha de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira de sua devoção.

    O coronel Domingos Leite Furtado, foi pertencente ao malfadado grupo do coronelismo sul cearense, a época da política dos governadores, irradiando seu prestígio nos Estados vizinhos. Foram seus aliados os coronéis: José Belém de Figueiredo, chefe do Crato; Antônio Joaquim de Santana, de Missão Velha; Joca de Macêdo, de Barbalha; coronel Rocha, de Jardim; Benedito Queiroga, de Pombal e; Zuza Lacerda e Antônio Brabo, ambos de Piancó.

    Fez grande fortuna e dominou  a vila de Milagres enquanto viveu. Implantou um verdadeiro regime de terror, que durou 30 anos, apoiado em parte, em uma parcela da sua parentela. Faleceu de gripe espanhola, no dia 27 de outubro de 1918, no sítio Nazaré.

TERMOS DE ÓBITO DE DOMINGOS LEITE FURTADO

Jornal do Recife (PE); 17.11.1918.
 
    Primeiro Termo de Óbito:
    “Aos vinte e sete de outubro de 1918, faleceu na Freguesia de Milagres, Bispado do Crato, Domingos Leite Furtado, com setenta e seis anos, casado que foi com Praxedes Furtado de Lacerda. Seu cadáver envolto em hábito preto foi solenemente encomendado por mim. Para constar mandei lavrar este termo que assino. O vigário Plácido Alves de Oliveira.”

    Segundo Termo de Óbito:
    “Aos vinte e sete de outubro de 1918, no sítio Nazaré faleceu de gripe pulmonar, às quatro horas da manhã, Domingos Leite Furtado, com setenta e seis anos de idade, casado que foi com Praxedes Furtado de Maria de Lacerda. Seu cadáver envolto em hábito preto, depois de solenemente encomendado por mim, foi sepultado na Capela do referido Sítio. Para constar, mandei fazer este assento que assino. O vigário Plácido Alves de Oliveira."

Dona Praxedes Furtado Lacerda.
Fonte: Memória Milagrense

   O coronel Domingos Leite casou-se com Praxedes Furtado Lacerda ou Praxedes Maria Furtado de Lacerda, esta nascida em 20 de abril de 1848, em Mauriti, filha de Pedro Furtado Leite (Pepedro), e sua segunda esposa, Maria Cavalcante de Lacerda. Eles não tiveram filhos, mas adotaram um sobrinho de Dona Praxedes, chamado Pedro Furtado de Lacerda (Pedro Velinho). Pedro foi casado com Antônia de Jesus Conceição Cunha, nascida em Milagres e filha de Manoel de Jesus da Conceição Cunha. Domingos e Praxedes residiam no sítio Nazaré “comprado” a João Leite de Morais, que se retirou obrigado com os três netos, filhos da sua única filha, Argina Juscelina Leite de Morais, viúva, para a Quixabinha, hoje no município de Mauriti.

    O professor Carlos César Pereira de Sousa nos informa em seu trabalho - Milagres: Nossa Terra Cariri - que na década de 1880, Domingos Leite Furtado já era o patriarca da família, e sua carreira política na vida de Milagres estava muito bem encaminhada.  Foi nomeado Delegado da Vila, com o apoio do juiz Joaquim do Couto Cartaxo, até pouco tempo inimigo; e Manoel Jesus da Conceição Cunha, que agora estava por baixo, na política da província do Ceará.

\Jornal Libertador (CE) - 28 de janeiro de 1886.

Capela de Nossa Senhora dos Remédios, no sítio Nazaré, Milagres - CE.
Foto: Roberto Júnior/ Cariri das Antigas.

CONFLITO ENTRE O CEL. DOMINGOS LEITE FURTADO E O CAP. ANTÔNIO LEITE RABELO DA CUNHA

    Ainda citando Carlos Sousa, em - Milagres: Nossa Terra Cariri - o autor nos conta que, para conquistar decisivamente o controle político e econômico sobre Milagres, foi de grande importância o embate político que o coronel Domingos Leite Furtado obteve com o capitão Antônio Leite Rabelo da Cunha entre 1887 e 1889 e do qual saiu vitorioso.

    Antônio Leite Rabelo da Cunha foi casado três vezes, constituindo uma prole de trinta filhos. Foi seminarista, tendo abandonado o seminário dez meses antes da sua ordenação, em virtude do falecimento do seu pai. Após o abandono do seminário, foi convidado para exercer a reitoria do seminário São José, em Crato. Além de suas fazendas localizadas em Rosário, Olho D’água, em Missão Velha; e Mundés, em Barbalha, adquiriu três propriedades em Brejo Santo: Pitombeira, Garanhuns e Horto, onde se estendia até o Agreste.

    O capitão Antônio Leite pertencia ao partido liberal, do grupo dos Paulas. Sua fazenda localizada no distrito de Podimirim e era conhecida como fazenda Rosário, próspera e produtora de rapadura, aguardente e melaço, essa propriedade despertava a cobiça de outros senhores de terra do vale dos Cariris Novos. O capitão Antônio Leite tinha assim inimigos poderosos e um deles, era o próprio primo, Domingos Leite Furtado.

    O Pároco da vila de Milagres, padre Manoel Rodrigues de Lima, também não nutria simpatias pelo capitão Antônio Leite, que não perdia ocasião de lhe mover campanha difamatória, mesmo no púlpito da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Milagres.

    Os ânimos políticos em Milagres se acirraram ainda mais após as polêmicas eleitorais de 1885, e depois com a questão da permanência do trabalho escravizado no Município, mesmo após as leis abolicionistas aprovadas, entre 1882 e 1883 no Ceará.

    O juiz Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, pressionado pelo Governo Provincial e pela população negra livre e escravizada do vale, se obrigava a executar o cumprimento das Leis Provinciais e gerais em fins de 1886. Anunciou ao Presidente da Província do Ceará, Miguel Calmon du Pin e Almeida, que em 1887, já não haveria mais nenhum escravizado no Município.

    Parece que para garantir o cumprimento da sua palavra, o Juiz ordenou ao então Delegado de Milagres, Domingos Leite Furtado, que desse uma batida na fazenda do capitão Antônio Leite Rabelo da Cunha em busca de escravos, isso ocorreu em 1887.

    O capitão Antônio Leite escreveu para o jornal O Libertador, denunciando as arbitrariedades do Juiz e do Delegado de Milagres. Na correspondência que o jornal publicou, o fazendeiro Antônio Leite insultava o delegado Domingos Furtado, o Juiz e outros aliados destes. Imediatamente Joaquim do Couto Cartaxo, Domingos Leite Furtado e outros se voltaram contra Antônio Leite Rabelo da Cunha e seus aliados. O jornal Constituição, datado em 27.04.1888, publicou uma carta de Domingos Leite Furtado, também insultando o Capitão Antônio Leite:

    “Ao publico.

    Não pretendia voltar mais a imprensa; mas sendo d’uma hora por outra, caluniado por uma quadrilha de magarefes de carne humana, (embora acobertados com o luctuoso manto da hypocrisia) conhecidos nesta terra por Cunhas Rabellos ou Crueiras, julguei conveniente voltar mais uma vez a ella, para esmagar como já o tenho feito, a essas víboras da reputação alheia, visto que fui provocado no “Libertador” n° 3 de janeiro deste anno por um dos – setes sábios da Grécia, o Sr. Capitão Antônio Leite Rabello da Cunha - a luz dos milagrenses, - num acervo de inverdades e insultos, próprios de si, atirados a minha pessoa e a diversos cavalheiros distinctos deste termo, somente porque, há tempo, nos pozemos a salvo de suas perfídias.

    É preciso se ter muita falta de pudor para dizer como disse o Sr. Capitão Leite que fora protector dos escravizados neste município, quando, fôra ele, seu “milagroso” irmão Manoel Crueira, collector e mais membros de sua família, os únicos que venderam escravos neste município, (os poucos que possuíam) para não morrerem a fome na crise de 77! Provoco o Sr. Capitão Leite para que prove o contrário disso.

    Quem melhor fora protector dos escravos, quem muitas das vezes desagarrava os de suas mulheres e filhos para vender ou quem os comprava a contos de réis e á mais, para não os ver sahir de sua terra natal?

    Em sua estiradeira em forma de artigo disse o Sr. Capitão Leite que nós intentamos perde-lo ao menos politicamente. Que desparate!!

    Qual fora a influencia politica que já tivera tal criatura, a não ser a que eu e minha família, incautos, dava-lhe?

    Pretendia, é certo, mostrar bem patente a influência politica de tal criatura, e disto com muita antecedência o preveni não só cabalmente como pela imprensa de minha província, porém assim não sucedeu, por se ter o capitão agarrado com bom santo.

    Disse ainda o capitão em seu aranzel que em minha casa se tinha reunido um grupo de sessenta a setenta homens, notificados á minha ordem e do ilustre Sr. Dr. Cartaxo com o fim de ataca-lo em sua fazenda Rosário, e que isto havia sido presenciado pelo Revd. Vigário desta freguezia. Nunca vi mentir-se tanto! Primeiramente mentiu dizendo que possuía fazenda chamada Rosário, porque não a possue, e se a possue é de porcos e ainda não é conhecida dos habitantes, já não digo do termo, mas de toda a comarca; e em segundo lugar mentiu porque afirmou que eu e o bacharel Cartaxo havíamos mandado notificar gente servindo-nos dos cargos que ocupamos, para ataca-lo nessa imaginaria fazenda, visto como provo o contrario, com atestado do próprio vigário a quem o mesmo capitão referiu-se.

    Concluio o tal capitão responsabilizando-nos não só por sua vida como por qualquer destruição que venha a sofrer em sua fazenda Rosario.

    Desde já garanto ao Sr. Capitão que por minha parte aceito a tal responsabilidade, visto como, relativamente a sua vida, diz o rifão antigo “que vaso ruim não se quebra”; e tanto é assim que o cholera morbus quando andou por estes sertões respeitou-o.

    E quanto a destruição de sua fazenda Rosario e de outra qualquer, por não conhecer a fazenda do pertencedo tal senhor.

    Concluido, peço aos ilustres três Srs. Redactores da “Constituição” que façam publicar com este atestado do digno vigário desta freguezia, que a este acompanha, como também a resposta que dei em data de 23 de Maio do anno passado ao Sr. Dr. Chefe de polícia, por acusações que me fez o collector provincial deste município Manoel Leite Rabello da Cunha ao Exmo. Sr. presidente da província, com todos os documentos que o acompanhara, visto como fui de novo acusado por um irmão do dito collector em sentido idêntico.

    Pode, Sr. Redactor da “Constituição”, dar publicidade a estas linhas pelas quaes se responsabiliza o abaixo assignado.

    Milagres, 13 de abril de 1888.

    Domingos Leite Furtado.

    Illm. Rvdm Sr. Vigario da freguezia de Milagres – Domingos Leite Furtado, actual delegado de policia deste termo de Milagres, precisa para seu documento que V. Rvdmª digne se de atestar ao pé desta, em fé de seu cargo, se lhe constou em algum tempo, que o suplicante servindo-se do cargo que ocupa, mandaria notificar gente ou mesmo tomara parte em qualquer reunião com o fim de atacar a povoação de Rosario, á busca de escravos.

    Assim, pois, pede a V. Rvdmª que se digne de atestar na forma requerida.

    E. R. Mcê.

    Milagres, 8 de abril de 1888

    Domingos Leite Furtado.

    Attesto em fé de meu cargo que durante o tempo de três anos que rejo ou parochio esta Freguezia, não me consta que o suplicante em tempo algum abusasse do cargo que ocupa, mandando notificar pessoas, nem também tomado parte alguma em qualquer reunião com o fim de atacar a povoação do Rosario á busca de escravos. Milagres, 8 de abril de 1888. – O Vigario Manoel Rodrigues Lima.

    Estava reconhecida a firma pelo tabelião publico.”

    A questão foi acirrada, tendo o Cel. Domingos Leite pleiteado o assassinato do Cap. Antônio Leite. Por ironia do destino, como os assemelhavam-se fisicamente, os sicários confundiram-lhe num dia de feira na vila de Milagres, atirando em seu mandante, baleando-o em uma das pernas. Este fato foi noticiado no Jornal Constituição – Ano XXVII, Num. 175, pág. 1, de 17.11.1888:

Jornal Constituição (CE);
de 17.11.1889.

    “É grave

    Os colegas do Libertador e Cearense noticiam factos tristíssimos ocorridos em varias localidades do Cariry, sobretudo em Milagres, onde se diz que fora assassinado o nosso amigo Manoel Maranhão e gravemente feridos, correndo risco de vida, o nosso prestimoso e distinctissimo amigo capitão Domingos Leite Furtado e seu sobrinho Manoel Nasario, além de muitas outras pessoas.

    Nenhuma comunicação recebemos ainda acerca de tão desgraçada occurrencia; mas sendo certo que trata-se de um facto gravíssimo, excusado nos parece pedirmos ao Exm. Sr. coronel Moraes Jartim providencias para prompta e severa punição dos criminosos; porque temos como certo que S. Exc., ainda neste ponto, se relevará digno dos seus créditos.

    Quando tivermos comunicações directas, q’certamente não demorarão, nos ocuparemos ainda de tão lamentáveis acontecimentos.”

    Sendo sabedor do ocorrido, o Cel. Manoel Inácio Bezerra, genro do Cap. Antônio Leite, interviu na questão como apaziguador e convencendo-o a vir residir no Distrito de Brejo dos Santos, fundando ali o clã da família Leite.

Casarão do Cap. Antônio Leite Rabelo da Cunha, em Brejo Santo. 
Demolido em abril de 2017. 

ASSALTO À NAZARÉ

    Após a morte do coronel Domingos Leite, no ano de 1918, o seu braço armado, o major José Inácio de Sousa, fazendeiro abastado do sítio Barro, conhecido como Zé Inácio do Barro, passou a assediar a família do falecido, reclamando que o Cel. Domingos Leite devia certa quantia a ele, por serviços prestados, o que produziu inimizades entre a família Furtado e Zé Inácio do Barro.

Major José Inácio do Barro.
Foto: acervo de Sousa Neto.

Umas das casas do major Zé Inácio, no seu sítio Barro.

   Com isso, o major Zé Inácio patrocinou o assalto ao sítio Nazaré, em Milagres, propriedade de dona Praxedes, viúva do ex-chefe político e ex-intendente de Milagres, coronel Domingos Leite , que por volta das sete horas da manhã do dia 20 de janeiro de 1919, foi invadida pelo grupo formado por Sinhô Pereira, Mundinho, Gavião, Rouxinol, Baliza, Criança, Raimundo Patrício, Antônio Bandeira, Antônio Carneiro e Luiz Padre, que roubaram todo dinheiro e joias. Na ocasião, dona Praxedes foi socorrida pelo coronel Augusto Leite de Araújo Lima, seu esquecido parente. Dona Praxedes faleceu em 04 de setembro de 1930, estando sepultada junto ao marido, na Capela do mesmo sítio Nazaré.

Casarão do Cel. Domingos Leite Furtado, no sítio Nazaré, Milagres - CE.


Casarão do Cel. Basílio Gomes, na fazenda Nascença, vila de Brejo dos Santos.

    Após ser denunciado como mandante do assalto, Zé Inácio, não esconde o feito, mas diz que aquele dinheiro era dele, por anos de serviços prestados ao Cel. Domingos Leite, e ainda o chamou de ladrão. Estando assim aberta a questão entre as famílias, principalmente na figura do Padre José Furtado de Lacerda, ou simplesmente, o Padre Lacerda, pároco do arraial de Coité, pertencente ao distrito de Buriti Grande, atual Mauriti. Mas antes de partirem para o Fogo do Coité, os sicários de Senhor do Barro ainda assaltaram o Casarão da Nascença, do pacífico coronel Basílio Gomes da Silva, na vila de Brejo dos Santos, ainda em janeiro de 1919.

Casarão do Cel. Domingos no sítio Nazaré, Milagres - CE.

Capela de Nossa Senhora dos Remédios
Sítio Nazaré, Milagres - CE

Interior da Capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Lápide do Cel. Domingos e Dona Praxedes,
localizada no interior da Capela em Nazaré.
   
A LENDA DO POÇO DO DINHEIRO DO CEL. DOMINGOS FURTADO

    Reza a lenda que o Cel. Domingos Leite enterrava seu dinheiro nesta depressão natural, onde corre um riacho intermitente, na mesma região do Sítio Nazaré, por receio de ataques e saques de inimigos, que não eram poucos. Após a morte do Cel. Domingos Leite, Dona Praxedes teria continuado a enterrar as botijas.

    "Certo dia, quando ela foi enterrar dinheiro, um grande buraco se abriu e ela caiu dentro. Depois desse dia, ninguém nunca mais ouviu falar dela". Esse local ficou conhecido como o Poço do Dinheiro.

    "O lugar é muito preservado, sendo considerado por muitos um santuário da natureza, cercado de mistérios. Alguns moradores contam as estórias, conhecidos como "causos", no qual em uma dessas lendas, dizem "...Quem for à meia noite ao Poço do Dinheiro, encontrará com a aparição de Dona Praxedes." Conforme informou o professor Jonas Fernandes ao site O Kariri, com o artigo intitulado: Arqueologia de Milagres (parte 6): Sítio Nazaré, em 13 de outubro de 2013.

Poço do Dinheiro do Cel. Domingos, Sítio Nazaré, Milagres - CE.


Por Bruno Yacub Sampaio Cabral.


Fontes Bibliográficas:

- LIMA, Francisco Augusto de Araújo; Famílias Cearenses Um; Fortaleza; Editora Premius; 2001;
- LIMA, Francisco Augusto de Araújo; Siará Grande: uma província portuguesa no nordeste oriental o Brasil; Fortaleza; Expressão Gráfica e Editora; v.III; 2016;
- SOUSA, Carlos César Pereira de; Milagres: nossa terra cariri; Fortaleza; Expressão Gráfica e Editora; 2021;
- MARANHÃO, Leite; Contribuição ao estudo genealógico das principais Famílias de Milagres (Família do Coité); Revista do Instituto do Ceará; Ano LXIV; 1950;
- LACERDA; José Sampaio; História da Família do Coité (Mauriti - Ceará) e outros assuntos; Da Anta Casa Editora; Brasília; 2004;
- NETO, Sousa; José Inácio do Barro e o Cangaço; Barro – CE; 2011;
- LUCETTI, Hilário e LUCENA, Magérbio; Lampião e o e estado maior do cangaço; Craturismo; 1995;
- CAVALCANTE, Francisco Mirancleide Basílio; Trajetória de um líder; Brejo Santo – CE; 2004;
- https://www.familiascearenses.com.br/index.php/2-uncategorised/135-memoria-real-e-afetiva-de-mauriti-segunda-parte - acessado em 08 de setembro de 2020;
- https://www.okariri.com/cariri/arqueologia-em-milagres-parte-6-sitio-nazare/  - acessado em 02 de setembro de 2020;
- http://www.blogdomateussilva.com.br/2017/04/casa-historica-e-derrubada-em-brejo.html  - acessado em 10 de setembro de 2020;
- http://cariricangaco.blogspot.com/2017/12/o-fogo-do-coite-porgeziel-moura.html  - acessado em 03 de setembro de 2020;
- https://amunganga.blogspot.com/2019/08/subsidios-para-historia-de-brejo-santo.html  - acessado em 06 de setembro de 2020;
- Jornal Constituição (CE) – Ano XXV,; Num. 50; págs. 2 e 3; de 27.04.1888;
- Jornal Constituição (CE) – Ano XXVII; Num. 175, pág. 1; de 17.11.1888;
- Jornal do Recife (PE) - Ano LXI,; Num. 137; pág. 3; de 17.11.1918.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

DUAS FOTOGRAFIAS, MESMO ÂNGULO, 60 ANOS DEPOIS

 

A PRIMEIRA FOI RETIRADA DA TORRE DA IGREJA MATRIZ, PROVAVELMENTE NA DÉCADA DE 60. A SEGUNDA, CAPTURADA AGORA POR UM DRONE, ALÉM DA TORRE DA MATRIZ, CERCA DE 60 ANOS DEPOIS, REVELA A MESMA PERSPECTIVA. SÓ A MATRIZ NÃO MUDOU. PERCA-SE NOS DESTALHES DESSA VIAGEM NO TEMPO.



"O sino da Igreja Matriz bate doze badaladas, que reverberam pelos telhados da cidade. O comércio se fecha e cada cidadão retorna para sua casa, onde se reúne com sua família para a sagrada hora do almoço e para a costumeira sesta, o cochilo do meio-dia. É setembro, faz um calor de rachar… Um menino passa gritando, anunciando a venda de quebra-queixo, de um jeito engraçado, compassadamente:

- Olha o que-bra-quei-xo!

O rádio ligado toca uma música de Jerry Adriani, de letra apaixonada e eu passeio por aquela história.

Eu me lembro que o Cine Alvorada exibirá Cleópatra, em última sessão, e eu vou, pela terceira vez, me encantar com os olhos violáceos de Elizabeth Taylor…"

Hérlon Fernandes Gomes

Agradecimentos: Brejo em Fotos e DronarBS.

sábado, 29 de agosto de 2020

BREJO SANTO - 130 ANOS - RESGATE ICONOGRÁFICO VI

 O MERCADO PÚBLICO

Foi construído na gestão do prefeito José Matias Sampaio (1935-1945).

Este Mercado localizava-se na Rua Manuel Inácio de Lucena (Rua do Araújo), mais ou menos nas imediações de onde hoje funcionam um escritório de engenharia, uma sorveteria e a academia da professora Rocha Lucena.

A fotografia, provavelmente de Basílio Neto, traz uma típica cena sertaneja: um couro espichado de boi para secar, clientes que chegam com suas crianças. Homens negociam, vão às compras, prosear, comprar a "mistura": uma carne, uma galinha, um guiné, umas curimatãs...



Voltando ao passado, imagino que, do fundo do mercado irradia-se um cheiro de buchada de bode fervendo; uma pãozeira vaporosa denuncia um gosto de cuscuz; uma cabocla sorridente revira uma tapioca no ar; alguém grita pedindo um copo de café...

Hérlon Fernandes Gomes

terça-feira, 25 de agosto de 2020

JOAQUIM ANTÔNIO FIRMINO DE SOUZA - O PRIMEIRO PROFESSOR

APONTAMENTOS SOBRE A INSTRUÇÃO PRIMÁRIA EM BREJO SANTO


A história sobre a educação primária em Brejo Santo nos informa que os primeiros professores do lugarejo eram particulares, contratados pelas famílias mais abastadas do lugar, para ensinar seus filhos as primeiras letras, sendo o primeiro professor a pisar por estas bandas, Mino Israel Samuel Krebs, vindo de Macapá (atual Jati), por convite do Cel. Manoel Inácio Bezerra.

No entanto, consta que, ainda na década de 1860, os habitantes do distrito de Brejo dos Santos já haviam solicitado ao Governo da Província, acesso à instrução publica primária para seus habitantes. E Joaquim Antônio Firmino de Souza foi seu primeiro Professor, passando em concurso publico, chega ao lugar para lecionar em 1871. 

Para ajudarmos a entender, segue a transcrição inédita e na íntegra da Sessão da Assembleia Legislativa Provincial do Ceará, de 09 de outubro de 1869, onde foi aprovada a emenda que cria uma cadeira de instrução publica do sexo masculino para a povoação de Brejo dos Santos, apresentada pelo então deputado provincial, Antônio Pinto Nogueira Acioli. A Lei Provincial n° 1289, de 16 de novembro de 1869, foi sancionada pelo Presidente da Província, Joaquim da Cunha Freire.

CEARÁ
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
CONCLUSÃO DA SESSÃO DE 09 DE OUTUBRO DE 1869.

O SR. PINTO ACCIOLY: - Sr. Presidente, tomando a palavra não é meu fim opor-me ao projeto em discurso, pois que sou o primeiro a reconhecer, que é convenente a criação de uma cadeira de instrução primária do sexo masculino na importante povoação de Cococy.

O Cococy, como esta casa sabe, é um povoado grande, rico, e muito populoso, tanto assim que há pouco foi elevado a freguesia. (Apoiados).

Portanto, está no caso de haver mais uma cadeira da língua vernácula (Apoiados).
Pedi, pois, a palavra, senhores, não para combater o projeto, como já disse, mas para apresentar uma emenda criando uma cadeira de instrução primária para o sexo masculino na povoação de Brejo dos Santos, termo de Jardim.

O Brejo dos Santos, senhor Presidente, é um povoado importante e populoso: é distrito de paz e de subdelegacia. Está, pois, muito no caso de possuir uma cadeira de primeiras letras para o sexo masculino. (Apoiados).

Portanto, espero que a casa, como é de justiça, aprovará o artigo que vou oferecer a sua consideração.

Tenho concluído. 

“Fica criada uma cadeira de instrução primária para o sexo masculino na povoação do Brejo dos Santos, termo de Jardim. – Nogueira Accioly.” 


Jornal Cearense: ANNO XXIV; N° 243; 30 de outubro de 1869.


Jornal Cearense: ANNO XXIV; N° 243; 30 de outubro de 1869.

Em 05 de julho de 1870, foi publicado o edital para anunciar o concurso com a finalidade de instalar as cadeiras do ensino primário do sexo masculino, para várias povoações da Província, entre elas, a primeira do Brejo dos Santos.

Jornal Pedro II (CE): ANNO 31; N° 142; 05 de julho de 1870.


Contudo, somente no ano de 1871 chegaria o primeiro professor de instrução pública no arraial. Joaquim Antônio Firmino de Souza, para lecionar aos alunos do sexo masculino. Em 1874, chegaria ao arraial um inspetor de aulas, para auxiliar Joaquim Antônio no ensino. Ele se chamava Joaquim Ignácio da Silva Tavares.

Jornal Cearense: ANNO XXVIII; N° 54; 05 de julho de 1874.

EXPEDIENTE DO SECRETÁRIO DA PROVÍNCIA.

1ª SECÇÃO.

Officios. – Ao Dr. Inspector da Thesouraria Provincial. – De ordem do Exc. Sr. conselheiro presidente da província, comunico á V. S. – que o professor publico d’instrução primaria da povoação do Brejo dos Santos, Joaquim Antonio Firmino de Souza, entrou em exercício das funções de seu magistério no dia 20 de novembro próximo findo (1871). (Jornal A Constituição; Anno X; n°5; 9 de janeiro de 1872; pág. 2).

Jornal A Constituição (CE): ANNO X; N° 5; 09 de janeiro de 1872.


INSTRUÇÃO PÚBLICA DA CAPITANIA E PROVÍNCIA DO CEARÁ.
APONTAMENTOS SOBRE A INSTRUÇÃO PÚBLICA PRIMÁRIA. 
ESCOLAS PRIMÁRIAS.

RELAÇÃO DA CRIAÇÃO 
DE ESCOLAS PRIMÁRIAS 
DA COMARCA DO JARDIM

JARDIM

- Em uma relação anexa ao officio do presidente Nunes Befford, n° 4, de 3 de fevereiro de 1827, dirigido ao ministério (ilegível), dá-se esta cadeira creada pro provisão do governo da província de 26 de setembro de 1822 em virtude da portaria da secretaria de estado dos negócios do reino de Portugal de 3 de abril do mesmo anno.

- Em 26 de setembro de 1822 foi nomeado professor de primeiras letras da cadeira da villa do Jardim.

- Creada em virtude da lei de 15 de outubro de 1827.

- Rufino de Alcântara Montesuma, provido a 22 de agosto de 1846, e removido para o Crato a 2 de julho de 1850.

 SEXO FEMININO – Creada pela lei provincial n° 620 de 26 de setembro de 1853.

- Dona Joana Henriqueta de Almeida e Silva, nomeada por acto de junho de 1854, demitida por acto

 

PORTEIRAS

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1018 de 8 de novembro de 1862.

- Genuino Alves de Lima Roldão, nomeado por acto de 8 de março de 1864.

SEXO FEMININO - Creada pela lei provincial n° 1403 de 2 de agosto de 1871.

- D. Eduarda Berneauve de Carvalho, interina por acto de 14 de setembro de 1871.

GOIANINHA (atual Jamacaru, distrito de Missão Velha)

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1267 de 2 de janeiro de 1867.

- João Pinto Teixeira, removido da Venda por acto de 22 de maio de 1869 e exonerado a pedido a 17 de março de 1871.

BREJO DOS SANTOS

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1289 de 16 de novembro de 1869.

- Joaquim Antonio Firmino de Sousa, nomeado por acto de 25 de outubro de 1871.

MILAGRES

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 324 de 9 de agosto de 1844, com o ordenado de 300$.

- Em 30 de agosto de 1847 foi provido Francisco Gonçalves Linhares, aposentado por acto de 4 de abril de 1865.

SEXO FEMININO - Creada pela lei provincial n° 925 de 30 de julho de 1860.

- Por acto da presidência de 10 de setembro de 1861 foi removido do Acaraú para esta cadeira D. Joanna Henriqueta de Almeida e Silva, e por este acto de 10 de junho de 1869, nomeada D. Rita Marcionília Pereira.

BOA ESPERANÇA (atual Iara, distrito de Barro)

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1315 de 24 de setembro de 1870.

- Francisco Pedro de Carvalho, interino por acto de 10 de abril de 1871, e exonerado a 8 de março de 1873.

IMBURANAS (atual Umburanas, distrito de Mauriti)

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1417 de 25 de agosto de 1871.

- Padre Martinho de Lunna e Melo, nomeado por acto de 22 de junho de 1872. Faleceo em princípios de 1874.

SÃO PEDRO (atual Abaiara)

SEXO MASCULINO - Creada pela lei provincial n° 1517 de 25 de agosto de 1871.

- Candido Acácio Fernandes Bastos, nomeado por acto de 14 de setembro de 1872, e removido para Missão Nova por acto de 14 de janeiro de 1874.

Fonte: Jornal A Constituição (CE): ANNO XXII; N° 152; 25 de novembro de 1874.

Joaquim Antônio lecionou em Brejo dos Santos até 1876, quando solicita transferência para a vila de Milagres.

Jornal A Constituição (CE): ANNO XIV; N° 99; 30 de agosto de 1876.

Retornando para Brejo dos Santos, em 05 de julho de 1880, consta ainda que o Professor ensinou na povoação de Burity (atual Mauriti), em 1885. Já na povoação de Saco da Orelha, em 04 de julho de 1889, solicita remoção para a localidade Cajazeiras, comarca de Crato.

Jornal Gazeta da Noite (CE): ANNO V, N° 69, 09 de abril de 1885.
Jornal Cearense: ANNO XXXIV; N° 59; 02 de junho de 1880. 
Jornal Gazeta da Noite (CE): ANNO IX, N° 122; 04 de junho de 1889.

Neste mesmo período, em 1887, chega a já então freguesia de Brejo dos Santos, o professor Mino Israel Samuel Krebs, vindo de Macapá, para ensinar os filhos do coronel Manoel Inácio Bezerra.

Joaquim Antônio Firmino de Souza deixa mais uma vez Brejo dos Santos, em 1889. Este é o mesmo ano da aprovação do ensino de cadeira mista na Freguesia. Entretanto, somente em 1892 chega para ocupar as cadeiras do ensino primário do sexo masculino, Genuíno Alves de Lima Roldão, vindo transferido da vila de Porteiras, sua terra natal, onde foi seu primeiro Professor, nomeado em 08 de março de 1864. Genuíno nasceu em 21 de julho de 1840 e faleceu em 12 de dezembro de 1912, estando sepultado no cemitério público em Porteiras.

 A cadeira de sexo feminino somente viria ser ocupada por Balbina Lídia Viana Arrais, em 1898.

Como o número dos que necessitavam de escola era muito elevado, ainda nessa fase, necessitou-se utilizar professores particulares:

Antônio Simplício do Nascimento foi Professor e também Sacristão da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, por volta de 1893; João Inocêncio da Silva, proveniente de Flores do Pajeú, em Pernambuco; Padre João Casimiro Viana, chegado a Brejo Santo em 1903, ensinou Português, Francês e Latim aos jovens mais adiantados, especialmente os filhos do Cel. Basílio Gomes da Silva; Antônio Gomes de Santana, conhecido por Antônio Generosa, que também fabricava fogos de artifícios; João Simplício do Nascimento, que foi Professor e Sacristão como seu pai, Antônio Simplício do Nascimento; Secundindo e Joana Broco, que ensinaram preferencialmente os alunos mais necessitados; Pedro Nogueira e Teófilo Leite Cabral, provenientes da cidade de Milagres; Dona Lili Grangeiro, esposa de Ibiapino Grangeiro; Padre Leopoldo Fernandes Pinheiro; e Isolina Gomes de Sá e Maria do Carmo Simplício, que foram muito úteis à comunidade estudantil.

Em 1925 foi instalado o Colégio São José, dirigido por Pedro Gomes da Silva Basílio, contando ainda como professores: Joaquim Gomes da Silva Basílio e o padre João Alboino Pequeno.

Em 1930 chegaram a Brejo Santo, provenientes de Fortaleza, Dona Maria Isa dos Santos e Maria do Carmo Simplício, que mantiveram escolas até 1933.

Na década de 1940 era inaugurada a primeira escola pública construída pelo Estado, chamada de Escolas Reunidas, popularmente conhecido por Grupo Velho, hoje denominada de EEFM José Matias Sampaio. 

Com o crescimento do ensino público, foram professores da Sede da cidade: Balbina Pedrosa Viana Arrais, conhecida por Dona Pedrosinha, filha única de Balbina Lídia Viana Arrais; Rosa Alves Roberto, Firmina de Jesus Ribeiro, conhecida como Santa do Padre Pedro; Auristela Viana Arrais, filha de Dona Pedrosinha; Sabina Gomes de Souza, Sebastiana Tavares de Moura, Altina Georgina Viana Arrais, irmã de Dona Balbina; Antonieta Gomes de Araújo, Heraclides Lucena Miranda, Maria Neli Nicodemos da Cruz e Isaltina Lucena Siqueira.

E na Zona Rural: Raimundo Moreira Luna, conhecido por Mestre Santo, no sítio Olho D’água dos Santos e Maria Conceição Neta, no sítio Paus Brancos.

O Município também se organizou para participar da luta contra o analfabetismo e, em 1940, já possuía a escola nos sítios Passagem de Pedra, Duas Lagoas e Baixio do Boi. A primeira tinha como responsável a professora Eliza Soares Nogueira, a segunda, a professora Clotildes Moreira Tavares, conhecida por Tidinha; e a terceira, a professora Maria Carmelita de Lucena.

Lindolfo Ramalho, autor do Hino do Município, manteve um colégio nas dependências do Paço Municipal, durante o regime do Estado Novo, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional e as demais casas do Poder Legislativo. No caso de Brejo Santo, o salão da Câmara dos Vereadores, localizada no piso superior da antiga sede da Prefeitura, foi transformada em sala de aula. 

Os irmãos José Teles de Carvalho e João Teles de Carvalho fundaram em 10 de fevereiro 1941, o Instituto Padre Viana, sendo adequado para Colégio Padre Viana em 1965, atuando até os dias atuais.

Em 1958 era fundado o Ginásio Padre Abath, com as séries ginasiais ao que foi acrescido o curso normal em 1963, no qual participaram como Professores: Neuzelide Nunes Pinheiro, Maria Beatriz Feijó, Maria Tiburtino de Moura e Júlio Macedo Costa, diretor e fundador.

Em 02 de março de 1967 era criado o Colégio Estadual Balbina Viana Arrais, sob a direção do professor Júlio Macedo Costa.

Em nome do primeiro Professor, Joaquim Antônio Firmino de Souza, homenageamos todos os Professores e Professoras que deram e aos que continuam contribuindo para o desenvolvimento educacional em Brejo Santo.

O Brejo é Isso!

Por Bruno Yacub Sampaio Cabral

A Munganga Promoção Cultural


Registros da sepultura pertencente ao professor Genuíno Alves de Lima Roldão, localizado no cemitério público de Porteiras - CE.



Referência bibliográfica 

Jornal A Constituição (CE):
ANNO X; N° 5; 09 de janeiro de 1872;
ANNO XXII; N° 152; 25 de novembro de 1874;
ANNO XIV; N° 99; 30 de agosto de 1876;
ANNO XXVI; N° 114; 04 de junho de 1889;
ANNO XXVI; N° 130; 09 de julho de 1889.

Jornal Cearense:
ANNO XXIV; N° 243, 30 de outubro de 1869;
ANNO XXVIII; N° 54; 05 de julho de 1874;
ANNO XXXIV; N° 59; 02 de junho de 1880.

Jornal Gazeta da Noite (CE):
ANNO V, N° 69, 09 de abril de 1885;
ANNO IX, N° 122; 04 de junho de 1889;

Jornal Pedro II (CE):
ANNO 31; N° 142; 05 de julho de 1870.

- Revista do Instituto do Ceará; Anno IX; Tomo IX; 1° e 2° Trimestres de 1895.
- ARAÚJO, Padre Antônio Gomes; Um Civilizador do Cariri; publicado na revista A Província; Ano 3; N° 3; em 7 de julho de 1955; Crato – Ceará.
- SILVA, Otacílio Anselmo e; Esboço Histórico do Município de Brejo Santo; em revista Itaytera N° 2; Instituto Cultural do Cariri; Crato - CE; 1956.
- NÓBREGA, Fernando Maia da; Brejo Santo Sua História e Sua Gente; Imprensa Oficial do Ceará; Brejo Santo, 1981.
- CAVALCANTE, Francisco Mirancleide Basílio; e LUCENA, Francisco Leite; História Político- Social Brejo-Santense; Brejo Santo; 2008.
- TELES, Fátima; Brejo Santo: Revisitando o passado e Construindo o presente; Brejo Santo; 2009.
- https://ufdc.ufl.edu/AA00000242/00001/1x?search=accioly, acessado em 11 de julho de 2020, as 16:34;
- http://www.colegiopadreviana.com.br/cpv2018/index.php/sobre-nos/nossa-historia - acessado em 20 de outubro de 2021, às 10:36 horas.

domingo, 23 de agosto de 2020

BREJO SANTO - 130 ANOS - RESGATE ICONOGRÁFICO V

Hoje, convidamos você a fazer um passeio por Brejo Santo na década de 30. O Paço Municipal.


"No aspecto de melhores condições físicas para favorecer o desempenho administrativo dos poderes Executivo e Legislativo, o Prefeito José Matias Sampaio construiu um novo prédio para abrigar os dois poderes. Demoliu uma casa pequena, simples e baixa, onde trabalhava o prefeito e, ali, (em frenre à Praça 7 de Setembro) construiu o imponente prédio da Prefeitura, no térreo, e, no primeiro andar, a Câmara Municipal." (Lenira Macêdo - Juarez, questão de honra, coragem e missão)

"Era o Paço Municipal, o mais alto e também o mais vistoso prédio da cidade. O escudo do Ceará esculpido no topo do frontispício e umas janelas protegidas com grades de ferro, ornavam-lhe a bela frontarias. No andar térreo, funcionava a prefeitura e no longo e amplo salçao do pavimento superior, tinham lugar as reuniões e festividades de cunho cívico ou social e os grande bailes de festas ou casamentos faustosos. Por uma escada da cantaria, construída junto à lateral externa do vetusto edifício, subia-se ao primeiro andar, de onde se descortinava um belo panorama da cidade." (Francisco Alves Araújo - Veredas do Chão Nativo)



"Quando Brejo Santo foi dotada de luz elétrica, as pessoas gradas da cidade se organizaram em sociedade, para compra de um rádio, que foi, então, levado ao Paço Municipal, onde, todas as noites, os sócios iam assistir, a portas fechadas, as programações radiofônicas, cujos artistas preferidos eram Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho. Só quem sabia regular o rádio era Antônio Madeiro. Por isso, somente ele mexia no ponteiro do precioso objeto, mudando as estações retransmissoras ou sintonizando as ondas hertzianas." (Francisco Alves Araújo - Veredas do Chão Nativo)

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

19 DE AGOSTO - DIA DA FOTOGRAFIA - HOMENAGEM A BASÍLIO NETO

A comunidade homenageia todos os fotógrafos, especialmente os que fizeram e fazem história em Brejo Santo.

Trazemos à memória a figura de Basílio Neto.


O fotógrafo Basílio Neto posa com sua máquina alemã Zeiss, na antiga Vila de Brejo dos Santos.

Filho de João Gomes da Silva Basílio e Antônia Inácio Bezerra, nasceu na cidade de Brejo Santo no dia 16/01/1897.

Foi o primeiro fotógrafo, além de ter sido ourives e torneiro mecânico, criando peças que receberam elogios até na América do Norte.

Professor de grande conhecimento, lecionou em todas as áreas. Foi conselheiro de paz na época do cangaço e, em 1935, nomeado pelo então Governador Menezes Pimentel para o cargo de adjunto de promotor na Vila de Brejo dos Santos.

Foi o único que teve a bravura de, juntamente com Dr. Belém, realizar a dura tarefa de combater a grande epidemia de peste bubônica na serra do Araripe.

Grande admirador do padre Pedro Inácio Ribeiro, esteve ao seu lado, durante muitos anos, auxiliando nas atividades religiosas da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus.


O fotógrafo Basílio Neto e família.

Casou-se duas vezes, a primeira com uma prima sua, Agnela Inácio Basílio, com quem teve três filhos (Raimunda, Creuza e Maroli); o segundo matrimônio deu-se com Maria Fechine Dantas, natural de Missão Velha, com quem teve um único filho (José Clébio Basílio).


O fotógrafo Basílio Neto e família. Fotografia de 1941.

Faleceu em 12 de Janeiro de 1969.

Deixou um legado fotográfico inestimável. Graças às suas fotografias, é possível conhecer Brejo Santo do final dos anos 20 até os anos 60.


Hérlon Fernandes Gomes

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

BREJO SANTO - 130 ANOS - RESGATE ICONOGRÁFICO IV

 

UM DEVANEIO EM 1962


A festa do Sagrado Coração de Jesus tinha a graça de conceber, para a criançada, especialmente, a chegada de um parque de diversões. Era o grande acontecimento. A meninada não sossegava até ver o parque montado. Como um presente muito especial, que chega em caixas separadas, todos assistiam àquela ansiosa montagem. Alguns meninos estavam sempre a agradar aos trabalhadores, trazendo uma garrafa d’água, um agrado que fosse, na promessa de ganhar um ingresso.

Aquele foi ano em que vi a primeira roda-gigante! Foi o êxtase daquela festa. Muitas crianças, moças, rapazes pouco prestavam atenção à homilia e aos ritos da santa missa. A gente não via a hora de o padre ordenar a paz de Cristo e liberar os fiéis. As bilheterias dos brinquedos se enchiam de filas… No sistema de som, tocava Smoke gets in your eyes, oferecimento certo de um namorado apaixonado; o cheiro de algodão-doce misturado com o de pipoca firmavam o perfume da felicidade.

Era gostoso quando a roda-gigante atingia o ponto alto e parava, por alguns segundos, a fim de que, tomados de medo, arriscássemos aquele cheiro no cangote que não se pode dar na vista de todo mundo…

O gosto de aventura, de medo e desejo eram as tintas da alegria que nos invadia.

Hérlon Fernandes Gomes