A Munganga Promoção Cultural

A MUNGANGA PROMOÇÃO CULTURAL: O Brejo é Isso!

sexta-feira, 10 de julho de 2020

MEUS ADORÁVEIS PADRINHOS – CRÔNICA DE SAUDADES

Nestes dias de desordem mundial e mental, tenho feito uma terapia eleita por mim mesmo. Considero-a muito eficaz para me recobrar as esperanças. Escolho rever antigas fotografias, dessas que estão em álbuns empoeirados, esquecidos numa gaveta… 

Rever pessoas, com quem convivi e foram ou são inspiradoras de alegria, coragem e esperança, tem o poder de me revigorar. Nessa arqueologia fotográfica, peguei-me com saudades dos meus padrinhos de batismo: Zé e Maria. Eram simples como seus nomes, de origem sagrada. Para mim, de fato, eram pessoas sagradas, porque os padrinhos são o pai e mãe por ordem de Deus. 

José Augusto Frutuoso era um filho do sertão, batalhador - arrimo de família, como se diz. Lavrava a terra, lá pelas bandas do Bezerro e comerciava miçangas na feira livre do Brejo. Conheceu Maria Fernandes , entre olhares pela praça e na missa, nas passagens pela Rua do Juá, onde ela residia com seus pais e no comércio de secos e molhados de Seu Zé Milagres, homem bruto e de respeito. Foi pedir Maria em namoro. Seu Zé e Dona Hosana consentiram, com muito gosto aquela união. Respeitavam a obstinação do pretenso genro em vencer na vida.

Casados, iniciaram a construção do seu projeto de vida. O primeiro filho não vinga e torna-se um anjo no céu, tão logo nasce. A segunda filha, Neuma, vem ao mundo com sérias complicações de saúde, em virtude de uma má formação, semelhante à que ceifara a vida do primogênito. Dr. Cleidson era um jovem e talentoso médico, que atendia os aflitos pais: 

- O prognóstico da menininha não é nada bom. Eu poderia arriscar uma cirurgia para salvá-la, mas não posso garantir que consiga; entretanto, devo assegurar-lhes que, se ela escapar, nunca conseguirá andar. 

Tia Maria com Neuma, à esquerda. São Paulo. Fim dos anos 60.
Como se espera de um pai e de uma mãe, sem titubear, Zé abre a ordem: 

- Faça a cirurgia, doutor. Estamos aqui atrás é de solução. 

A menina escapou e, de fato, a previsão do médico foi bem precisa: era um caso de paraplegia irreversível. Ter uma criança especial nos dias de hoje já é um desafio, imaginem isso nos anos 60? Iniciava-se uma grande luta em prol daquela criança. 

Naqueles anos, Zé resolveu mudar de ramo e abriu um bar. O Frutuoso Bar fez fama em Brejo Santo. Localizado ali entre a Travessa José Clementino Tavares, esquina com a Caldeira do Inferno, ao lado da Barbearia Dois Irmãos, de João e Sebastião, nasceu um dos pontos mais efervescentes da boemia de Brejo Santo. O bar funcionava dia e noite, aproveitando o movimento do comércio e reunindo aqueles que buscavam o aconchego de um boteco, onde havia um gostoso tira-gosto, boa música e a presença serena do anfitrião. Com a boa freguesia, os negócios prosperaram. 


Zé conhecia cada freguês e seu bar era um reduto de harmonia. No tempo em que andar armado era natural, para evitar confusão, antes de começar a bebedeira, Zé exigia que lhe entregassem a arma para ser guardada, a fim de evitar que o álcool e os ânimos acabassem por gestar alguma tragédia. Havia noites em que, debaixo do balcão, havia um arsenal que faria inveja a Lampião! Nem sempre ele entregava a arma no mesmo dia e essa função de “bar man” e delegado deu muito certo: não há notícias de tragédias por lá. 



O bar também se tornaria uma afamada sorveteria da cidade, por seus cobiçados picolés e sorvetes da Kibon e da Maguary, além de uma sortida bomboniere. 

Com melhores condições, Zé e Maria resolveram rumar para São Paulo, ouvir a opinião de outros médicos e em busca de melhor qualidade de vida para a filha paralítica, com constantes complicações no seu quadro de saúde. 

Entre idas e vidas a Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro e um histórico de várias cirurgias, fizeram o que estava ao seu alcance. Mesmo sabendo que o destino da filha era a cadeira de rodas e, a despeito de todas as outras desesperanças que lhes apareciam agourando a vida da pequena, ganharam aquele mundo de incertezas, em busca de melhoras, na garantia da esperança, sem se preocupar com o insucesso. 



Nessa procura, foram muito felizes, vivendo cada dia, colhendo nas imperceptíveis horas os frutos da felicidade. 



Num tempo em que não se falava em inclusão escolar, Neuminha foi alfabetizada em casa, por professora particular. Não lhe faltaram educação, instrução; nem muito menos amor e cuidados. 


A vida legou ao casal mais quatro filhos vivos: Lêda, Jackson, Jairo e Janaína. É que por último, o seu caçula, Jânio, receberia o chamado de Deus, em 1974. 

Aqueles cinco filhos foram o projeto de vida do casal. A labuta diária e os empreendimentos construídos visavam principalmente a um plano: a boa educação deles. 


- O estudo é o maior recurso que os pais podem deixar para um filho! - dizia frequentemente, o meu padrinho. 

Nessa ânsia, qualquer vendedor de livros sabia que um cliente certo era Zé Frutuoso. A casa possuía, na sala, uma grande estante de madeira, com livros em todos os compartimentos, com dois baús até a tampa lotados de coleções das mais variadas. Quando descobri a leitura, aquela estante foi, para mim, um tesouro; uma fonte num deserto de infindável sede: Júlio Verne, Monteiro Lobato, livros ilustrados com as histórias de Mary Poppins e tantos outros clássicos que a maturidade iria me garantir consciência para lê-los um dia... 

A casa de tia Maria e “padim” Zé, vizinha de parede da minha casa, tornou-se facilmente um dos lugares onde eu mais me sentia aconchegado. Não só pelos livros, que aprendi a amar; mas pela boa amizade de primos-irmãos e também o carinho maternal de titia, a nos agradar com um afago, um pedaço bom de bolo ou um pires de doce, porque ali não faltavam desses mimos e guloseimas. 

Às vezes, principalmente aos finais de semana, a criançada tinha a sorte de seguir viagem no fusca de padrinho, até o sítio Bezerro, na casa de Dona Expedida, sua mãe - sertaneja simples, que nos recebia com muita alegria. Corríamos atrás de um imenso pé de jatobá, que deixava caído muitos desses frutos exóticos que adorávamos catar e levar para a cidade, para nos fartarmos. Até hoje, quando abro um jatobá, vem-me um filme da infância. 

Meu padrinho era um homem sereno, de palavras certas. Abençoava-me desejando que Deus me fizesse feliz e profetizando coisas boas sobre o meu futuro, quando eu era apenas um menino: 

- Você vai ser um doutor advogado importante! 

Eu achava graça daquilo, mas torcia para que ele tivesse razão a esse respeito. Deveria ser algo bom, se ele estava dizendo. 

Padrinho Zé não viveu para me ver formado. Naquele triste final do ano 2000, ele se foi, deixando viva a memória do seu caráter. Quis a vida ser justa para lhe dar tempo suficiente para assistir às formaturas dos filhos, cada um lapidado como uma joia na sua jornada. Com muita honra e dignidade, seus filhos e filhas são cidadãos de bem, conhecidos por todos nós, testemunhos vivos de seu empenho. Em relação a mim, sua promessa se cumpriria, anos depois, quando me formei em Direito. 

Titia Maria nos deixou há dois anos, em 2018, abrindo um vácuo de sua insubstituível ternura, sua inabalável coragem, força e fé. Partiu num sonho, durante o sono, com o rosário na mão, sem dar trabalho a ninguém, como pedia a Deus. 

Lembrá-los inspira-me. É uma saudade que não me desola. Ela faz a gente crer, de verdade, que as coisas podem melhorar, mesmo diante das piores previsões. 

Olhando essas amareladas fotografias, percebo que vive melhor quem menos lamenta; e que a felicidade é mais essa essência encontrada despercebidamente pela estrada, e não a incerta chegada. 


Hérlon Fernandes Gomes 


Porto Velho, 10 de Julho de 2020. 


Para Neuma, Leda, Jackson, Jairo e Jana, com carinho e saudades.

domingo, 14 de junho de 2020

JOÃO PEREIRA LIMA BASTOS DOS SANTOS: "Eu me alimento de Cultura."


Faleceu em Fortaleza, no início deste mês, João Pereira Lima Bastos dos Santos, aos 96 anos, vítima de COVID-19. Seu João Lima, como era conhecido, principalmente na comunidade do Vieira; lá  construiu, com recursos próprios, um complexo, que denominou de Memorial Padre Antônio Gomes de Araújo, composto de sólida capela - dada por devoção a São Sebastião - e de instalações, onde pretendia agrupar uma biblioteca especial da obra completa do homenageado historiador brejo-santense.


Comprou briga com a Paróquia, quando trasladou os restos mortais dos pais para um mausoléu ao lado do templo. Ali também desejava ser sepultado. 

Nasceu em Brejo Santo, em 21 de dezembro de 1924, filho de Francisco Pereira Lima e de Maria Lica Bastos dos Santos. Realizou os primeiros estudos no casarão da professora Balbina, de 1936 a 1937, com a professora Altina Viana Arrais. Foi coroinha do padre Pedro Inácio Ribeiro.

Em Brejo Santo, de 1942 a 1945, foi regente e Cantor do Coro da Matriz (período de férias, dezembro e janeiro), sendo harmonionista a professora Rosa Roberto e cantores: Enedina, Geralda Simplício e os seminaristas José Lucena (Cabaceira); Daniel, da Gangorra; Valdir, de Milagres; Francisco das Chagas Araújo, cria do Pe. Pedro e D. Santa. Preparava as festividades de Fim de Ano, Noite de Festa, Tríduo do Menino Deus, Dia de Ano, Dia de Reis. As missas solenes dessa época eram acompanhadas pelas melodias incomparáveis, ao som de um órgão, e do Canto Chão (missa de angelis), alvoradas festivas com a Banda de Música regida por Mestre Olívio e demorados foguetórios. 

Nessa época, está matriculado no Curso Primário no Colégio de São Francisco, dirigido pelos frades franciscanos alemães, em Canindé. Entre 1946 e 1947, conclui o Curso Ginasial, no Seminário Seráfico de Messejana dirigido pelos Frades Capuchinhos italianos. Em 1948, cursou o noviciado no Seminário Maior dos Frades Capuchinhos, em Guaramiranga, onde também cursou Filosofia Mista (clássica), de 1949 a 1951. Neste ano, vive uma grande tragédia. O trem que pegara no Cariri envolve-se em grave acidente, nas proximidades da estação de Piquet Carneiro, por excesso de velocidade, em 17 de dezembro. Houve dezenas de vítima fatais. 

No Cariri e em Fortaleza, foi professor nas mais respeitadas instituições de ensino, a exemplo do Colégio Diocesano, Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte e Colégio Santo Inácio, onde lecionou nas variadas áreas das ciências (Física e Química) e linguagens (Português, Francês e Latim) 

Foi profundo estudioso, concluindo diversas licenciaturas, incluindo Filosofia Pura, Letras e Teologia. 

Em 1994, escreveu um artigo de protesto, intitulado O CRIME CONTRA O TEMPLO DO SABER, em que expõe sua revolta pela derrubada do Casarão dos Viana Arrais.


Em 18 de setembro de 1997, iniciou as obras do memorial. Em 2002, ali instalou a Escola de Música do Poço, entidade filantrópica para o estudo da música teórica, solfejo, coral e instrumental, priorizando a música clássica, litúrgica. Foi mais ou menos nessa época que tive o primeiro contato com Sr. João Lima. Juntamente a dona Marineusa Santana, quando estávamos em visitas de campo para reunião do acervo das peças do Memorial Padre Pedro, realizamos vista a ele, que convivera com o santo padre. Com muito orgulho, ele nos convidou a adentrar o complexo e apresentar as benfeitorias e seus projetos, além de nos contar sua experiência com o aludido pároco.


Já agora, em janeiro deste ano, fui convidado pelo amigo Ronaldo Lucena, grande amante da história e cultura brejo-santense, a fazermos uma visita a Sr. João Lima, com quem ele desenvolvera fértil amizade, desde os anos 90. 


Uma das cartas enviadas por Sr. João Lima a Ronaldo Lucena
Fomos Ronaldo, Bruno e eu. Deparamo-nos com um homem extremamente frágil, pelo peso de muitos anos, mas de uma mente intacta de lucidez. Perguntado sobre o segredo daquela vivacidade da mente, como costumava dizer em outras ocasiões, afirmava que se alimentava de cultura. De personalidade forte, tivemos tempo para um papo sobre os mais variados assuntos, de padre Cícero a Chico Chicote, e uma visita guiada pelo templo, simples, mas de peculiar beleza, especialmente pelos lindos vitrais, que o idealizador mandou buscar no exterior. 



Estávamos curiosos por conhecer o acervo reunido do historiador Padre Gomes, mas Sr. João, naquele momento, disse que não o faria, porque não estava organizado do jeito que desejava. Ficou a promessa, que infelizmente não se concretizou. 

Abatido pela morte, o último desejo foi cumprido. O corpo foi transportado para Brejo Santo e sepultado ao lado da capela de São Sebastião, onde repousam os restos mortais de seus genitores. 


Por testamento, também em ato de última vontade, deixou todos os bens para a Diocese.

A comunidade religiosa e cultural, especialmente, deseja que o acervo seja administrado por mãos apaixonadas, seja preservado, divulgado, para que se perpetue como obra edificante. Rogo à Diocese que envide os esforços necessários a esse fim. Seria, inclusive, de bom alvitre a intervenção do Departamento Histórico Diocesano Pe. Antonio Gomes de Araújo e demais interessados na preservação da cultura brejo-santense, para que tomem ciência desse precioso acervo. 

O Brejo é Isso!

Hérlon Fernandes Gomes, Porto Velho,  14 de Junho de 2020

segunda-feira, 8 de junho de 2020

DEPUTADO WELINGTON LANDIM, UM HOMEM PÚBLICO DE IRREPREENSÍVEL TRAJETÓRIA – UMA HOMENAGEM PÓSTUMA (5 ANOS DE VIDA ETERNA)


Aquele que se detenha a estudar a história de Brejo Santo e de sua gente, em algum ponto da linha do tempo, deparar-se-á com um nome de destacado relevo. Poucos homens públicos conseguiram a façanha do deputado Welington Landim, político de respeito, com vinte e seis anos de vida pública dedicados, especialmente, à sua terra. 

José Welington Landim é o primogênito, de oito filhos, do casal Ivan Leite Landim e Terezinha Leite Lucena. Nasceu em Brejo Santo, em 14/11/1955, onde viveu a primeira infância e frequentou os primeiros estudos, auxiliando o pai, numa farmácia da família, onde identificou seus pendores para com a medicina. Gostava da infância de menino sertanejo, no sítio Vieira, na casa da tia Dona Iaiá, e no Baixio do Boi, num recanto materno, onde aprendeu a entrar em contato com a natureza e admirar as coisas simples da vida camponesa. 

Welinadja e Welington - 1ª Eucaristia

Aos onze anos, deixa o Cariri para continuar os estudos na capital cearense. No colégio dos jesuítas Santo Inácio conclui os estudos primários, época em que se fascina pela vida de São Francisco e seus ideais altruístas, influenciado pelo professor Padre Pedro, importante referência educacional para o resto de sua vida. 

No colégio de maristas Cearense segue a conclusão do ensino secundário. Sua alegria era poder retornar ao seu torrão natal, onde reencontrava os pais e os inúmeros irmãos. Desde tenra idade se compadecia da vida dos menos favorecidos e se condoía das desigualdades sociais de sua cidade, principalmente do Serrote, uma periferia sem nenhum saneamento básico, onde uma massa se aglomerava entre taperas vigiadas por urubus, a disputarem suas carniças. 

Em 1975, logrou aprovação no vestibular, para o curso de medicina, da Universidade Federal do Pernambuco. Muda-se, portanto, para Recife. 

Na capital pernambucana, é inspirado pela política estudantil e passa a frequentar e fazer parte dos diretórios acadêmicos, além de integrar-se a shows culturais e a ambientes da boemia recifense, a exemplo do próprio Anfiteatro da UFPE, a Mansão do Fera e o Bar da Apple, onde brilharam artistas como Quinteto Violado, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lula Côrtes, Raimundo Fagner, Belchior, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Amelinha e tantos outros, que se tornariam artistas do seu coração, para o resto da vida. 

Nesse fecundo contexto, tocado também pelas ideias libertárias que desafiavam a ditadura militar e, com o fim de agregar os universitários conterrâneos espalhados especialmente nos polos universitários do Nordeste, funda a Associação Universitária de Brejo Santo - AUBS, em 1976, da qual foi seu primeiro presidente.


A AUBS organizava as semanas universitárias, uma saudosa tradição de Brejo Santo. A praça Dionísio Rocha de Lucena era tomada por barracas e festejos, que se prolongavam até o sábado magro de carnaval. No Bar Caldeira do Inferno funcionava a “gerência” do movimento, que concentrava eventos de caráter social, de saúde, cultural e ambiental, mobilizando não só Brejo Santo, mas o Cariri como um todo. Os estudantes se reuniam para se divertir em gincanas engraçadas; jogar futebol; realizar júris simulados sobre casos polêmicos; assistir a palestras de personalidades importantes da nossa região; promover shows culturais e oferecer atenção e cuidado às comunidades carentes. 

1ª Semana Universitária de Brejo Santo, em 1976.
Presidente: Welington Landim. Vice: Paulo Torres.
Avelar, Flávio Denguinho, Niedja Tavares, Luis de Seu Carlos, Marcelo de Macedo,
Welington Landim, Marcílio Nicodemos, Dr. Zezito, Paulo Torres, Washington Madeiro,
Antônio de Euzébio, Dedé Tavares, Maurício Macedo, Marcondes Patrício e Magliônio Patrício.


Aquelas semanas, da segunda metade dos anos 70, das quais Welington foi grande entusiasta, trouxeram shows antológicos para Brejo Santo, como O Pessoal do Ceará (Ednardo, Rodger e Téti), no Brejo Santo União Clube e o recital de Cante Lá que eu canto cá do grandioso Patativa do Assaré, do homônimo livro, à época recentemente lançado pela Editora Vozes. 

Ednardo, Téti e Rodger.
Patativa do Assaré

Nessa época, conhece Gislaine Sampaio, que recentemente chegara do estado de Goiás. Iniciam um namoro, noivam em um ano. Em 1978, Gislaine logra aprovação no curso de psicologia, também no Recife, e passa a fazer parte daquela turma efervescente. Welington conclui a faculdade em 1982, casam-se em 1983. Mudam-se para Campinas-SP, onde ele se especializa em cirurgia vascular e ultrassonografia. Terminados os estudos em residência, Welington só pensa em poder retornar para Brejo Santo. Em 1986, já com o primogênito Guilherme nos braços, regressam. 

Com Gislaine, no Natal de 1979, no Brejo Santo União Clube.

Não diferentemente do que ocorria no nordeste, a cidade ostentava níveis de mortalidade infantil elevados; saneamento básico deficitário; zonas periféricas em processos de favelização. A medicina que se realizava era praticamente diagnóstica, porque havia dificuldades para tratar até as doenças endêmicas mais simples. 

Aspecto do Alto da Bela Vista - Serrote, no final dos anos 80.
Quando o surto de AIDS ganhou o mundo, causando uma onda de pavor, principalmente nas regiões pobres e desinformadas, Dr. Welington percorria Serrote, Morro Dourado, Cavaco, com um projetor e uma pasta de transparências, explicando à população dos riscos e dos métodos de prevenção. 

Em 1988, toma consciência de que a política seria o caminho mais eficaz para realizar mudanças profundas em tudo aquilo que lhe inquietava. Retomando uma tradição familiar, já que seu avô materno, João Inácio de Lucena (João Chicote), ocupara a intendência do município nos anos de 1912/1914 e 1919/1927, e João Landim da Cruz, seu avô paterno, fora vereador, José Welington Landim lança-se a prefeito, em chapa com Dr. Francisco Furtado como vice. Sagram-se vencedores. Uma nova era de progresso inaugura-se na cidade.


A Administração Jovem. Welington Landim, Chico Furtado e seus secretrários: Prof Macedo,Valmir Lucena, Cezinha Siqueira, Gilson Leite, Haroldo Lucena, Maglionio, Welilvan Landim.

De 1989 a 1992, Brejo Santo se torna um campo aberto de obras. O sério problema de abastecimento de água da cidade é contornado logo no começo de sua gestão. Praças e avenidas ganham novos contornos; as zonas da periferia, estigmatizadas pela miséria, têm suas taperas e casas de taipa substituídas por moradias populares, com ares da dignidade. Welington é um entusiasmado, que logo ganha a confiança de toda a gente.


Em 1994, elege-se deputado estadual e inicia profícua carreira na Assembleia Legislativa, tonando-se um dos mais respeitados entre seus pares. Conhecido por sua persistência, carisma e pelos seus ideais grandiosos em prol do homem simples cearense, Welington torna-se um arauto da Transposição das Águas do Rio São Francisco. Em 1995, entrega nas mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso, um abaixo-assinado com um milhão de assinaturas de nordestinos requerendo a realização da obra. Chegou a visitar o Estado de Israel e lá se encantou vendo uvas nascerem num deserto no meio do nada, em cultura irrigada. Aquilo deveria ser um modelo de desenvolvimento a ser implementado no semiárido nordestino. A bandeira em prol da execução do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco tornou-se uma causa de vida, uma luta na tribuna e onde lhe fosse oportunizada a voz. 

Seus discursos eram inflamados de paixão por sua terra e pela causa do sofrido homem do campo; do mais humilde; dos sem perspectivas. Multidões se aglomeravam para ouvi-lo, abraçá-lo. Sua obsessão era o progresso de sua gente. Conhecia cada canto de Brejo Santo, como se fosse sua própria casa, e gente dos mais distantes distritos, como se fosse parente seu. A construção do seu respeito e de sua confiança se deu nesse olho no olho. Não demorou muito para ser liderança no Cariri Oriental, representando os municípios circunvizinhos. 

Welington Landim e sua família, em Brasília. Início dos anos 90.

A despeito da agitada vida política, encontrava refrigério na família, seu suporte afetivo, sua alegria maior. Sua paz era poder estar junto da dedicada esposa Gislaine e dos seus quatro filhos: Guilherme, Welington Filho, Gilvan e Bárbara, num sítio, no seu Brejo, catando mangas ou deitado numa rede, ouvindo Chico Buarque, Elis ou Paulinho da Viola. 



Por quatro anos (1999-2000 e 2001-2002), exerceu a Presidência da Assembleia Legislativa do Ceará. Em 2002, rompe com Tasso Jereissati e candidata-se ao Governo do Estado, ficando em quarto lugar na disputa vencida por Lúcio Alcântara contra José Airton. 

Em 2006, retorna à Casa de Leis, reelegendo-se em 2010 e 2014, sempre com expressiva quantidade de votos. 



Concomitante ao período em que representava o povo na ALEC, as administrações municipais de Brejo Santo estiveram, no mais das vezes, atreladas às suas diretrizes de liderança, a exemplo de Chico Furtado (1993-1996), Wider Landim (1997-2000 e 2001-2004) e Guilherme Landim (2009-2012 e 2013-2016). O progresso seguiu seu curso, a cidade cresceu, e importantes prêmios de reconhecimento foram conquistados, destacados exemplos de boa gestão, em nível nacional. 

Com o filho, então prefeito Guilherme Landim, que sucede a tradição paterna.

No fatídico dia de 31 de maio de 2015, de forma inesperada, Welington Landim é internado em estado gravíssimo, com diagnóstico de meningite bacteriana. Em 09/06/2015, depois de angustiantes dias internado na UTI do Hospital São Mateus, em Fortaleza, é declarado seu óbito. Grande comoção tomou conta de todo o estado do Ceará. No mesmo dia, o corpo é velado em cerimônia especial, da Assembleia Legislativa, onde recebeu emocionadas homenagens de seus pares. O féretro foi trasladado, de avião, até Juazeiro do Norte. Ali, uma carreata a perder de vista aguardava, para seguir o trajeto até sua terra natal. 

Era quase meia-noite quando o cortejo passou por Missão Velha que, condoída de lamento, fez toda sua gente sair às calçadas, em reverência ao político que por ali também foi benfeitor. 

Em Brejo Santo, logo cedo, as ruas tornaram-se estreitas para a gente que se dirigia até o Ginásio Welingtão, onde o corpo era velado. Uma multidão nunca vista ocupou o local. Uma procissão formava imensurável fila, que seguia ao longo do dia, vencendo a noite, para se despedir, com um último olhar de agradecimento, do grande líder que fora em vida. 

Um mar de coroas de flores inundava o ambiente. Até seus mais ferrenhos adversários políticos, em sinal de respeito e reconhecimento ao seu caráter e espírito de concórdia, solidarizaram-se nesse gesto. Lideranças políticas de toda a região, do cenário municipal, estadual e federal se fizeram presentes, a exemplo do governador Camilo Santana e de Ciro Gomes. 

A Missa de Corpo Presente foi celebrada pelo bispo Dom Fernando Panico e contou com a presença do Monsenhor Dermival de Anchieta Gondim e outros líderes religiosos das paróquias vizinhas. Antes de o corpo seguir até o Cemitério São João Batista, em fraterno discurso rasgado de emoção, Guilherme Landim arrancou lágrimas de quem lhe assistia. Terço na mão, oração de São Francisco na outra, honrou a memória do pai, um homem público de irrepreensível trajetória. 




Já agora, neste mês de junho, cinco anos depois dessa precoce perda, de repente uma manchete no jornal me chama à atenção: Ceará se prepara para receber as águas da Transposição do Rio São Francisco. Parei por um instante, ilustrei na minha mente a chegada dessas águas, aquela promessa tão distante, que ouvia desde menino. Imediatamente eu me lembrei de Dr. Welington Landim, a voz mais eloquente na luta por essa causa. Não há, ali no estado, quem não reconheça seu empenho para que as águas do Velho Chico trouxessem vida às regiões mais secas dos estados irmãos. 




As desejadas águas já se encaminham ao Ceará, entrando pelo Cariri, em faraônica obra que leva o nome de Cinturão das Águas Welington Landim, eternizado nessa justa homenagem. A água será captada em Jati, seguindo por Porteiras, Brejo Santo, Abaiara, Missão Velha, Barbalha, Crato e Nova Olinda e desembocará no rio Cariús. 

Evoco Câmara Cascudo para lembrar-me desse conterrâneo ilustre: “Quem não tiver debaixo dos pés da alma, a areia de sua terra, não resiste aos atritos da sua viagem na vida, acaba incolor, inodoro e insípido, parecido com todos.” Brejo Santo não foi somente a terra de Welington Landim, foi sua pátria, a causa de sua vida, seu amor maior, o seu grande orgulho. Ele merece todo o nosso respeito. 

O Brejo é Isso!

Hérlon Fernandes Gomes, 09 de junho de 2020, Porto Velho, Rondônia.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

BREJO SANTO – SUA HISTÓRIA E SUA GENTE. UM LIVRO, DOIS AUTORES: 40 ANOS DEPOIS

Há quarenta anos, em 1980, chegava a Brejo Santo, com 32 anos de idade, Fernando Maia da Nóbrega, para assumir a gerência da Caixa Econômica Federal. 

Fernando Maia da Nóbrega em 1980, agência da Caixa Econômica de Brejo Santo - CE.

O sobralense, criado no Cariri, educado em grande parte ali no Juazeiro do Norte, cresceu admirando a história da região, lendo autores de bibliografia respeitada, a exemplo de João Brígido e Irineu Pinheiro. Recebeu com entusiasmo a notícia de que passaria um tempo precioso de sua vida em Brejo Santo, a terra do respeitado historiador padre Antônio Gomes de Araújo. 

Um dia, passeando pela cidade, deparou-se com a bandeira do município: duas faixas vermelhas e uma azul no centro, com três estrelas dispostas em triângulo. O que os astros significavam? Perguntou a um, a dois, a três… Ninguém sabia lhe responder. Um sinal de que a gente desconhecia sua história. 

A cidade causou-lhe excelente impressão. Sentiu-se muito bem acolhido por aquela gente de riso fácil e espírito companheiro. Logo fez boas amizades, entre elas o prefeito da cidade, Dr. Lucena, um jovem médico, também amante da leitura e da história, e Djalma Lucena, ambos descendentes do Coronel Chico Chicote, personagem de uma das passagens históricas do Cariri que mais lhe empolgavam. Aquele convívio acendia ainda mais a centelha por se descobrir mais. 

Em uma dessas muitas conversas, fosse na Caldeira do Inferno ou durante um café na casa de um amigo, Fernando contou de sua surpresa sobre o fato de muitos brejo-santenses não conhecerem a própria história e propôs que fosse feito um trabalho de resgate daquela memória, ameaçada de se perder. Reuniriam em livro, pela primeira vez, a história de Brejo Santo. 

Tomados de empolgação, visitaram o cemitério indígena recém-descoberto em terras do Sr. Luís Bastos; deslocaram-se muitas vezes até as ruínas de Guaribas, cenário de luta sangrenta de chumbo cerrado; descortinaram distritos e ouviam os mais velhos, em busca das fontes orais mais distantes… Padre Antônio Gomes à época, infelizmente já estava acometido de Alzheimer e não pôde servir de diretriz ao trabalho daqueles jovens. 

As fontes bibliográficas eram raras e praticamente desaparecidas. Por muitos finais de semana, Fernando se deslocaria até Fortaleza, para se enfurnar na Biblioteca Menezes Pimentel a garimpar dados em velhos registros, livros raros e microfilmes, dos quais legou estudo sobre os primeiros habitantes e as sesmarias de Antônio Mendes Lobato e Lira, reconstruindo as veredas históricas do Brejo, desde 1718. Acrescentando o que ouviu da oralidade, como a história de Maria Barbosa e o caso do mestre Antônio, além de realizar estudo sobre os símbolos oficiais da cidade, Fernando intitulou sua pesquisa como De Brejo da Barbosa a Brejo Santo – breve sinopse do município. 


Biblioteca Pública Estadual Governador Menezes Pimentel

Dr. Lucena, auxiliado pelos conhecimentos de genealogia de Djalma, escreveu outro apêndice, intitulado Ruas, Educação e Origens Familiares. Ambos acordaram, também, sobre a necessidade de reeditar três importantíssimos documentos históricos sobre a cidade: Esboço Histórico do Município de Brejo Santo (1956) e A tragédia de Guaribas (1972), ambos de Otacílio Anselmo e Um Civilizador do Cariri (1955), de Padre Antônio Gomes de Araújo. 

Dr. Francisco Leite Lucena, então prefeito de Brejo Santo
Djalma Lucena, advogado, neto do Coronel Chico Chicote.
Profundo conhecedor da genealogia de Brejo Santo.
Importante colaborador na criação do livro.
Toda essa importante documentação foi reunida no livro intitulado BREJO SANTO - SUA HISTÓRIA, SUA GENTE. Em 1981, a Imprensa Oficial do Ceará imprimiu 2.000 desses exemplares, que foram presenteados à gente. 



Ao longo desses quase quarenta anos, desde sua publicação, o livro é uma raridade de ser encontrada, mas foi graças a ele, sem dúvida, que a história de nossa gente se perpetuou. Por muito tempo ele recebeu o título de O Livro do Brejo, por realmente ser único. Felizmente a produção bibliográfica foi avançando, ao longo do tempo, e outros autores vêm dando sua contribuição. 

Marcus Garvey, filósofo jamaicano, um dia disse que “um povo sem conhecimento de seu passado histórico, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”. Tenho a impressão de que o advento desse livro, criado na ânsia altruísta de difundir o conhecimento e a cultura, foi um desses momentos raros, quando as raízes do nosso povo foram plantadas de forma profunda e fecunda. 

Fernando Maia da Nóbrega é hoje aposentado, reside em Fortaleza e mantém vivo esse amor pela história. Por onde passou, deixou um rastro dessa sua paixão, como na obra De Humaitá a Senador Pompeu, além do livro sobre a História da Caixa Econômica do Ceará. Já publicou na Revista Itaytera, além de contribuições para o blog do renomado e saudoso escritor Daniel Walker. Atualmente trabalha em livro em que resgata crimes históricos, além de personagens importantes na história do Cariri e adjacências, como Floro Bartolomeu, Chico Chicote, Belchior de Iguatu e Pinto Madeira. 

Francisco Leite de Lucena, conhecido por Dr. Lucena, é figura querida de Brejo Santo, onde reside e ainda atua, como respeitado médico. Continua a exercitar o gosto pela arte, não abrindo mão de uma boa leitura, de uma boa música e de rever um clássico da sétima arte. 

Djalma, advogado, vive em Brejo Santo. É apaixonado por história e genealogia. Uma fonte oral importante do conhecimento acerca da formação das famílias brejo-santenses. 

Aos senhores, curadores da história e da cultura, o nosso muito obrigado. 

O Brejo é Isso!

Hérlon Fernandes Gomes 


P.S.: Entrevistei Sr. Fernando Maia da Nóbrega, que me confessou o desejo de poder regressar a Brejo Santo e rever esses amigos queridos. Há uma omissão da nossa gente em relação ao autor, que até hoje não o agraciou com o título de cidadão brejo-santense. 

P.S.: Aproveitamos o ensejo para disponibilizar trecho de entrevista concedida por Dr. Lucena acerca do livro:





domingo, 17 de maio de 2020

BREJO SANTO E A HISTÓRIA DO SEU NÚCLEO DE EXERCÍCIO POLÍTICO - QUARTA E ÚLTIMA PARTE


Para finalizarmos nosso estudo sobre a formação do Núcleo de Exercício Político em Brejo Santo, disponibilizamos um documento raro, extraído do extinto Livro de Escrituração da Prefeitura Municipal de Brejo Santo, datada em 22 de maio de 1948, sendo apresentada por Fernando Maia da Nóbrega na publicação Brejo Santo, Sua história e sua gente, de 1981.

Segundo verificou Nóbrega, existem equívocos nas informações inseridas no Livro de Escrituração da Prefeitura, tendo como base o acúmulo das funções exercidas pelo Cel. Basílio Gomes da Silva, ora como Intendente, ora como Chefe Político. Presume-se que estas e demais contradições relativas à cronologia das gestões, ocorreram devido a confusão feita por quem escreveu tal descrição, nas datas de eleições e nas datas de assumir a Prefeitura pelos gestores.

DESCRIÇÃO SOBRE OS PREFEITOS MUNICIPAIS DESDE O ANO DE 1890 ATÉ 1948


"No ano de 1890 achava-se à frente dos destinos deste município, o Ten. Cel. Basílio Gomes da Silva, que desde a criação do Município vinha exercendo o Intendência Municipal, sendo ele um dos interessados à criação do Município.. Enfrentou o Governo Municipal mais de 20 anos, tendo como Presidente da Câmara, o Sr. Benevenuto Bezerra da Paixão, Alvino Alves da Costa, João Pereira e Silva, Manoel Inácio de Lucena, João Antônio de Moura e Manoel Bastos da Silva. Em 1904 passou o Governo Municipal ao Cel. Manoel Inácio de Lucena, tendo como Presidente da Câmara, o Cel. João Inácio de Lucena até 1907. Neste ano reassumiu o Governo Municipal o Cel. Basílio Gomes da Silva, tendo como Presidente da Câmara o Cel. João Inácio de Lucena até 1909, nesta data reassumiu o Governo Municipal deste Município de Brejo Santo o Cel. Manoel Inácio de Lucena, tendo o Cel. Basílio Gomes da Silva feito em sua administração o Prédio da Municipalidade denominado Intendência Municipal e adquirido outros imóveis para o Município que já não existem mais. Nesta data, reassumiu os destinos do Governo Municipal desta cidade o Sr. Cel. Manoel Inácio de Lucena, tendo como Presidente da Câmara o Sr. Cel. João Inácio de Lucena até 1912, tendo o referido prefeito empregado todo esforço possível pela a ampliação deste Município junto ao Município vizinho de Milagres, arranjando grande faixada de terreno para este Município, entrando em discussões e acordo as duas Câmaras Municipais naquele tempo. Nesta data, passou os destinos do Governo Municipal ao Cel. João Inácio de Lucena, ficando como Presidente da Câmara o Cel. Manoel Inácio de Lucena, até 1914, quando foi deposto o Cel. Franco Rabelo da Presidência do Estado do Ceará. Nesta data, assumiu o Governo Municipal provisoriamente o Sr. Joaquim Gomes da Silva Basílio e como Presidente da Câmara o Cel. Manoel Inácio Bezerra permanecendo assim até 1916, nesta data, o general Benjamim Liberato Barroso, Governador do Ceará, por nomeação deste, assumiu a Prefeitura deste Município o Cel. Ma­noel Inácio Bezerra e como Presidente da Câmara o Sr. José Nicodemos da Silva até 1918, quando passou a Prefeitura Municipal ao Sr. José Nicodemos da Silva e como Presidente da Câmara o Sr. José Alves de Moura até 1919, nesta data procedendo-se Eleições para Prefeitos Municipais foi, Eleito Prefeito Constitucional desta Cidade o Cel. João Inácio de Lucena e Presidente da Câmara Municipal o Sr. Pedro Pe­reira de Lucena, sendo que o referido cidadão enfrentou os destinos deste Município até o ano de 1927, neste período foram feitos alguns melhoramentos nesta cidade e no Município. Nesta data assumiu a Prefeitura Municipal desta Cidade o Sr. Joaquim Inácio de Lucena e como Presidente da Câmara o Sr. José Francisco da Silva até 1929, tendo feito diversos melhoramentos neste Município como sejam o Matadouro Publico e a aquisição do imóvel denominado Serrote e o Prédio do Açougue Publico. Nesta data foi Eleito Prefeito Constitucional o Cel. Manoel Leite de Moura e Presidente da Câmara Municipal o Sr. Napoleão de Araujo Lima, tendo no ano seguinte feito o calçamento da Rua do Comércio desta ci­dade, além de outros. Nesta data de 1930 rebentada a revolução nacional da Aliança Liberal do Brasil, foi deposto o Governador Estadual, Dr. José de Mattos Peixoto e assumindo a interventoria do Estado do Ceará, o Sr. Dr. Manoel do Nascimento Fernandes Távora e sendo nomeado Prefeito o Sr. João Anselmo e Silva, que regeu os destinos deste Município até o fim de 1931. Nesta data foi nomeado Prefeito Municipal desta ci­dade o Sr. Cel. Luiz Gonzaga Junior filho de Barbalha assumindo os destinos deste Município até 1934, deixam em sua gestão o Jardim Avenida 7 de Setembro, as pontes que já não existem mais no Riacho do Regato e no Riacho do Barracão. Nesta data foi substituído pelo Sr. Cel. Franklin Tavares Pi­nheiro até as Eleições para Governador do Estado, em 1935. Eleito o Sr. Francisco Menezes Pimentel para Governador do Estado do Ceará pela Liga Eleitoral Católica, foi nomeado o Cel. José Matias Sampaio Prefeito Municipal desta Cidade, assumindo os destinos do Governo Municipal no dia 30 de junho de 1935 e administrou provisoriamente até as Eleições para Prefeito Municipal, em Março de 1935. Nesta data o Sr. Pre­feito, para se desincompatibilizar, passou o exercício do Governo Municipal ao Sr. Secretário da Prefeitura, Manoel Iná­cio Torres, passando este 4 meses como em referido exercício até que triunfando as Eleições, foi Eleito Prefeito Constitucional desta cidade, o Cel. José Matias Sampaio e como Presi­dente da Câmara Municipal, o Sr. Heráclito Alves de Moura, que governaram neste regime democrático até o golpe de 10 de novembro, quando o Presidente da Republica, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, Decretou o Estado Novo Regime Ditatorial. Ficando assim sem as Câmaras Municipais, o Sr. José Matias Sampaio administrando este Município até 1945 em seu Go­verno Municipal tudo fez por esta terra. Deixando as Ruas alinhadas, melhorado as calçadas, condenando prédios e os desapropriando para melhoramento da cidade, fez toda arboriza­ção existente, construiu o prédio para Câmara de expurgo de sementes, reconstruiu o Edifício da Municipalidade, o So­brado onde funciona as Sessões da Câmara Municipal e Pre­feitura, fez aquisição do Terreno e material para construção da Cadeia Pública da Cidade, construiu o matador publico da vila de Porteiras com terreno próprio, fez aquisição do Prédio e Mármores do Açougue Publico, fez o calçamento da Rua Sta. Terezinha, pôs meio fio nas Ruas Dr. Justiniano de Serpa e partes da Rua Santos Dumont epr. João Pessoa, fez aquisição do terreno e adquiriu junto ao Dr. Pimentel, Go­vernador do Ceará e construiu o Grupo Escolar da Cidade e construção do Jardim A. 7 de Setembro, fez aqui­sição e doou ao Estado do Ceará o Campo de demonstração Agrícola deste município, 16 tarefas de terreno especial, cercado de arame e madeira no Sítio Melancia, subúrbio da cidade. Reconstruiu os calçamentos da fonte da Cacimbinha, aguada publica desta cidade e do Tanque, o calçamento existente. Reconstruiu a Ponte que liga a Rua Dr. João Pessoa à Rua Cel. Basílio. Em sua administração sempre conservou aberto o transito de seu Município, fazendo todos os anos a raspagem das estradas carroçais que liga esta Cidade às Cidades vizinhas e fez junto ao Governo do Estado os valados separando na chapada do Araripe as Zonas Agrícolas e Pastoril que muito beneficiou a população pobre aqui existente. Sempre em seu go­verno deu assistência a todas as classes de seus munícipes sem distinção. Nesta data de 21 de outubro de 1945, depôs do contragolpe o Governo Provisório do Ministro José Linhares com o Interventor Federal neste Estado, o Dr. Beny Carva­lho, foi nomeado Prefeito Municipal desta cidade o Sr.. José Jacinto de Araújo, que assumiu a Prefeitura, passando a frente deste Município até abril de 1946, sendo nesta data substituído pelo Sr. Joaquim Leite Araujo, que passou até as Elei­ções para Presidente da República de 02 de dezembro do mesmo ano como Prefeito deste Município, nesta data com a interventoria Federal, Ministro Pedro Firmeza no Ceará, sendo nomeado Prefeito Municipal desta Cidade o Sr. Dr. Vicente Alves de Santana, que em seguida assumiu a Prefeitura, permaneceu nesta até as eleições para Governador do Estado do Ceará, em 19 de janeiro de 1947. Eleito o Desembargador Faus­tino de Albuquerque, Governador do Estado do Ceará pela União Democrática Nacional, foi em seguida nomeado Prefeito desta Cidade provisoriamente até as Eleições Municipais, o cidadão Napoleão de Araujo Lima, que em seguida foi empossado 10 meses na Prefeitura Municipal de Brejo Santo, em 7 de dezembro de 1947, apurada as Eleições municipais foi proclamado Eleito Prefeito Municipal desta Cidade pelas Coligações dos Partidos Social Democrático e Progressista, o Sr. Dionísio Rocha de Lucena, que tomou posse no dia 06 de janeiro do ano em curso, tendo como Presidente da Câmara Municipal, o Sr. José Abílio de Melo.

Era o que continha nos Livros de Escrituração desta Prefeitura.

Secretaria da Prefeitura Municipal de Brejo Santo, 22 de maio de 1948.



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Secretário Municipal Visto



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Prefeito Constitucional"



Tal como a "ACTA DA INAUGURA­ÇÃO DA NOVA VILLA DE BREJO DOS SANTOS", também já não existe mais os Livros de Escrituração da Prefeitura, onde estava registrado a "DISCRIÇÃO SOBRE OS PREFEITOS MUNICIPAES DESDE O ANO DE 1890 ATÉ A DATA PREZENTE" pois o livro que a continha e os demais da prefeitura, foram criminosamente queimados por pessoas carentes de perspectivas históricas.






Transcrição realizada por Fernando Maia da Nóbrega para o livro
Brejo Santo, Sua história e Sua gente, de 1981.

Capa do livro Brejo Santo, Sua história e Sua gente; de 1981.

Contra capa do livro.

Fernando Maia da Nóbrega foi o autor do livro
Brejo Santo, Sua história e Sua gente.
Foto: acervo do autor.



O Brejo é Isso!

Bruno Yacub Sampaio Cabral

Leia também:



Referencia Bibliográfica

- NÓBREGA, Fernando Maia da; Brejo Santo sua história e sua gente, de Brejo da Barbosa a Brejo Santo, Breve sinopse do município; 1981; Brejo Santo; Ceará.